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Irlanda boicota reeleição de Infantino na Fifa: "Tempo de mudança"

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Redação AmaFutPublicado em 25/08/2026
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Irlanda boicota reeleição de Infantino na Fifa: "Tempo de mudança"
Irlanda lidera rebelião contra Infantino na Fifa: "Tempo de mudança" A Associação de Futebol da Irlanda (FAI) anunciou nesta semana que não apoiará a reeleição de Gianni Infantino para a presidência da Fifa em 2025. Em c...
linkFonte / Crédito:BBC Sport (Futebol)

Irlanda lidera rebelião contra Infantino na Fifa: "Tempo de mudança"

A Associação de Futebol da Irlanda (FAI) anunciou nesta semana que não apoiará a reeleição de Gianni Infantino para a presidência da Fifa em 2025. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que o momento exige "mudanças estruturais" na entidade máxima do futebol mundial, ecoando críticas crescentes sobre transparência e governança. A decisão irlandesa, ainda que simbólica, pode acender um pavio em outras federações que já questionam o atual mandato do suíço.

A FAI, que representa o futebol norte-irlandês, não detalhou os motivos específicos de sua posição, mas o comunicado deixa claro que a entidade busca um "futebol mais justo e transparente". A Irlanda, tradicionalmente alinhada a posições progressistas no futebol europeu, se junta a federações como a da Noruega e da Suécia, que já haviam sinalizado descontentamento com a gestão de Infantino. A decisão ocorre em um momento de crescente pressão sobre a Fifa, envolvida em investigações sobre corrupção e distribuição desigual de recursos entre as confederações.

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O anúncio irlandês chega em um ano crítico para a Fifa, que já enfrenta cobranças por reformas após escândalos recentes e pela distribuição de bilhões em receitas da Copa do Mundo. A entidade suíça, que governa o futebol global desde 2016, tem sido alvo de críticas por centralizar poder e por decisões controversas, como a expansão da Copa do Mundo para 48 times — um movimento visto por muitos como uma manobra para aumentar receitas em detrimento do equilíbrio competitivo.

## O que a Irlanda quer mudar na Fifa?

A FAI não entrou em detalhes sobre quais reformas considera necessárias, mas o comunicado menciona "transparência" e "governança democrática" como pilares. Analistas internacionais apontam que a insatisfação irlandesa pode estar ligada a dois pontos principais: a distribuição de verbas da Fifa para federações menores e a falta de prestação de contas sobre gastos milionários em projetos como a Copa do Mundo 2026 nos EUA, Canadá e México.

Outro fator é a relação da Fifa com a Uefa, que tem sido marcada por tensões. Enquanto a Uefa defende um modelo mais descentralizado, com maior participação das federações europeias nas decisões, a Fifa sob Infantino tem priorizado acordos comerciais bilionários, como os direitos de transmissão e patrocínios globais. A Irlanda, como membro da Uefa, pode estar alinhada a essa corrente crítica.

## Repercussão internacional: quem pode seguir a Irlanda?

A decisão da FAI não tem peso imediato nas eleições de 2025, já que a Fifa opera com um sistema de votação indireta, onde federações nacionais — e não clubes ou jogadores — têm poder de decisão. No entanto, o gesto pode inspirar outras federações menores a se posicionarem publicamente, especialmente aquelas que dependem de verbas da Fifa para desenvolvimento do futebol local.

Até agora, as reações mais contundentes vieram de federações nórdicas. A Noruega já havia ameaçado não votar em Infantino em 2023, enquanto a Suécia, embora ainda não tenha se manifestado oficialmente, tem sido vocal em críticas à gestão da Fifa. A África do Sul, que recentemente sediou a Copa do Mundo Feminina, também tem demonstrado insatisfação com a falta de investimento em seu futebol feminino por parte da entidade.

Para Infantino, que busca um quarto mandato, a pressão é crescente. O suíço, que já foi visto como um reformista ao assumir em 2016, hoje enfrenta acusações de centralização de poder e de favorecer interesses comerciais em detrimento do esporte. A Fifa, por sua vez, argumenta que suas decisões — como a expansão da Copa do Mundo — visam "globalizar o futebol" e aumentar receitas para investimento em projetos sociais.

## O que falta para uma revolta real na Fifa?

Para que a rebelião contra Infantino ganhe força, será necessário um movimento coordenado entre federações de peso, como Alemanha, Inglaterra e Brasil. Até agora, nenhuma dessas nações se posicionou claramente contra o atual presidente, o que enfraquece qualquer tentativa de mudança. A Fifa, aliás, tem um histórico de resistir a pressões externas: em 2015, quando estourou o escândalo de corrupção, a entidade sobreviveu graças a um rearranjo interno que manteve a maioria dos dirigentes no poder.

Outro ponto crucial é o calendário eleitoral. A Fifa realizará eleições em maio de 2025, e até lá, Infantino deve buscar alianças estratégicas, especialmente na Ásia e na América do Sul, onde tem forte influência. A Irlanda, sozinha, não tem peso suficiente para derrubar o atual presidente, mas seu gesto pode ser o primeiro de uma onda maior — ou o último suspiro de um movimento que não conseguiu ganhar tração.

Análise AmaFut

Gianni Infantino não é mais o outsider que chegou à Fifa em 2016 prometendo reformas. Hoje, ele personifica o que muitos críticos chamam de "Fifa Inc." — uma entidade que opera como uma multinacional, com decisões tomadas por um pequeno grupo de dirigentes e interesses comerciais acima do esporte. A Irlanda acertou em cheio ao usar a palavra "mudança", mas o problema é que, na Fifa, "mudança" só acontece quando há pressão suficiente para derrubar quem está no poder. E, até agora, essa pressão não é massiva o suficiente.

O que a FAI fez foi jogar uma pedra no lago — mas, para criar ondas, será necessário muito mais. Infantino ainda tem o apoio da maioria das federações africanas e asiáticas, que se beneficiam de seus projetos de expansão e verbas. Enquanto isso, a Europa, dividida entre progressistas e conservadores, não consegue apresentar um nome alternativo forte. Até que isso aconteça, a Fifa seguirá sendo um império onde o poder se concentra nas mãos de poucos — e a Irlanda, por mais simbólico que seja seu gesto, não deve mudar esse cenário sozinha.

Se a Fifa quisesse realmente ser transparente, começaria publicando um balanço detalhado de como os US$ 7,5 bilhões arrecadados com a Copa do Mundo 2022 foram gastos. Mas, como sabemos, transparência nunca foi o forte da entidade. E, enquanto isso, Infantino segue firme, contando com a inércia do sistema para se manter no poder.

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Fonte

BBC Sport — Irish FA withdraws support for Infantino

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