Infantino pode faltar ao torneio juvenil da Concacaf por pressão

Pressão política afasta Infantino de torneio juvenil da Concacaf
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pode não aparecer no torneio juvenil da Concacaf no fim de semana na República Dominicana. A ausência não é por acaso: o próprio presidente da confederação, Victor Montagliani, pediu que ele ficasse longe do evento. A decisão, ainda que não oficializada, reflete tensões recentes entre as entidades e levanta dúvidas sobre o futuro da relação entre Fifa e Concacaf.

O pedido de Montagliani não é uma mera formalidade. Em comunicado não oficial, fontes próximas à Concacaf indicam que a entidade quer evitar qualquer polêmica durante o torneio Sub-17 que começa neste sábado. Infantino, conhecido por sua agenda agitada e presença constante em eventos internacionais, teria sido alertado sobre o risco de protestos ou manifestações contrárias à sua participação.
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A tensão entre Fifa e Concacaf não é novidade. Nos últimos meses, as duas entidades protagonizaram embates públicos, especialmente sobre a gestão de recursos e a organização de competições. Montagliani, que já foi vice-presidente da Fifa, tem sido um crítico discreto, mas firme, de algumas políticas de Infantino, especialmente aquelas relacionadas à transparência financeira e à distribuição de verbas para federações menores.
[IMG2]O torneio juvenil da Concacaf é uma vitrine para as categorias de base da região, que tem revelado talentos como Gavi (Espanha) e Alphonso Davies (Canadá). A ausência de Infantino, mesmo que temporária, pode ser lida como um recado: a Concacaf não está disposta a ceder em seus princípios, mesmo que isso signifique confrontar a Fifa. Para os organizadores, o foco deve estar nos jovens atletas, e não em disputas de poder.

Para a Fifa, a situação é delicada. Infantino, que assumiu o cargo em 2016 prometendo reformas e transparência, enfrenta críticas crescentes sobre a falta de mudanças concretas. A ausência em um torneio de base, ainda que não oficial, pode ser interpretada como um sinal de fraqueza ou, pior, de desinteresse pelos projetos sociais da entidade. Por outro lado, a Concacaf ganha pontos com uma postura firme, alinhada às expectativas de federações menores que cobram mais participação nas decisões.
O episódio também reacende discussões sobre o papel das confederações regionais frente à Fifa. Enquanto Infantino centraliza poder em Zurique, federações como a Concacaf buscam maior autonomia para gerir seus torneios e recursos. A pressão de Montagliani pode ser apenas o começo de uma onda de insatisfeitos que, aos poucos, começam a questionar a hegemonia da Fifa no futebol mundial.
## Contexto e repercussãoA relação entre Fifa e Concacaf já foi mais cordial. Nos tempos de Joseph Blatter, a entidade europeia tinha mais espaço para atuar na América do Norte e Central. Hoje, com Infantino no comando, a Fifa tem adotado uma postura mais intervencionista, o que não agrada a todos. Montagliani, que conhece os bastidores da política futebolística, sabe que um afastamento simbólico de Infantino pode ser um tiro de aviso: a Concacaf não é mais um mero apêndice da Fifa.
Para os torcedores e clubes da região, o torneio juvenil é uma oportunidade de ver os futuros craques do futebol continental. A ausência de Infantino, no entanto, pode roubar um pouco da atenção midiática do evento. Afinal, quando dois gigantes do futebol entram em rota de colisão, o espetáculo acaba sendo maior do que o próprio jogo.
Vale lembrar que, em 2022, Infantino esteve presente em um torneio similar na América do Sul, mas naquela ocasião não havia o mesmo clima de tensão. Agora, a situação é outra: a Concacaf quer mostrar que pode andar com as próprias pernas, mesmo que isso signifique confrontar a Fifa.
Análise AmaFut
Esse afastamento de Infantino não é apenas uma questão de protocolo, mas um recado claro: a Concacaf está disposta a colocar limites na Fifa. Montagliani, com sua experiência de décadas no futebol, sabe que a melhor forma de pressionar Infantino é justamente tirando-lhe o protagonismo em eventos onde a Fifa gostaria de estar no centro das atenções.
Para a Fifa, o episódio é um alerta. Infantino, que já foi visto como um reformista, agora enfrenta a desconfiança de quem antes o apoiava. Se a Concacaf conseguir manter sua postura firme, outras confederações podem seguir o mesmo caminho, enfraquecendo ainda mais o poder centralizador da Fifa.
Do lado da Concacaf, a jogada é inteligente: ao afastar Infantino, a entidade ganha visibilidade para seus projetos de base e, ao mesmo tempo, mostra que não está disposta a aceitar qualquer imposição. É uma estratégia de poder, mas também uma demonstração de que o futebol continental pode — e deve — ter voz própria.
## Fonte [BBC Sport](https://www.bbc.co.uk/sport/football/articles/cq6d627y8g7o?at_medium=RSS&at_campaign=rss)Leia também
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