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FIFA acelera plano de Copa do Mundo com 64 times e enfrenta resistência

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Redação AmaFutPublicado em 31/07/2026
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FIFA acelera plano de Copa do Mundo com 64 times e enfrenta resistência
FIFA avança com Mundial de 64 times, mas projeto já nasce com polêmica Enquanto o mundo ainda digere a última edição da Copa do Mundo, a FIFA já coloca em movimento um plano ambicioso — e controverso — para aumentar o nú...
linkFonte / Crédito:ESPN (Internacional/Soccer)

FIFA avança com Mundial de 64 times, mas projeto já nasce com polêmica

Enquanto o mundo ainda digere a última edição da Copa do Mundo, a FIFA já coloca em movimento um plano ambicioso — e controverso — para aumentar o número de participantes na próxima edição. Documentos obtidos pela ESPN revelam que a entidade iniciou um processo de consulta sobre a expansão do Mundial masculino para 64 seleções, com a meta de definir o formato até 14 de agosto. A decisão, no entanto, promete esquentar ainda mais os debates sobre o futuro do futebol global.

A proposta, defendida pelo presidente Gianni Infantino, mira em dois objetivos principais: aumentar a competitividade e democratizar o acesso ao maior torneio do planeta. Mas, como sempre, o diabo mora nos detalhes — e nas resistências. Times tradicionais, federações e até jogadores já sinalizam ceticismo, temendo que a mudança desvalorize o prestígio da competição e dilua a qualidade técnica.

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O calendário apertado não ajuda. Com menos de dois anos para organizar uma reformulação tão profunda, a FIFA corre contra o tempo para evitar que o projeto se transforme em um tiro no pé. Afinal, mexer no que já funciona — mesmo com críticas — é um risco que nem sempre vale a pena.

Consulta em andamento: o que já se sabe sobre o novo formato

Segundo os documentos analisados pela ESPN, a FIFA estuda três modelos principais para a Copa do Mundo expandida. O primeiro prevê a manutenção de oito grupos com oito times cada, mas com apenas os dois primeiros avançando — uma solução que, na prática, aumentaria o número de jogos sem necessariamente elevar a qualidade das partidas. Outra opção em análise é a divisão em 16 grupos de quatro, com os dois primeiros de cada chave avançando, o que reduziria a intensidade das primeiras rodadas, mas multiplicaria as chances de zebras.

Já o terceiro cenário, mais radical, propõe uma fase inicial com times divididos em 12 grupos de cinco ou seis, garantindo mais oportunidades para seleções de continentes menos representados. A ideia, em tese, soa nobre: dar voz a nações como Jamaica, Haiti ou até mesmo a uma eventual seleção unificada da Oceania. Na prática, porém, a medida poderia transformar a fase de grupos em um torneio paralelo, com jogos menos decisivos e mais propensos a empates sem graça.

O que chama atenção é a pressa. A FIFA quer uma decisão até meados de agosto, o que deixa pouco espaço para debates profundos ou ajustes técnicos. Infantino, que já emplacou mudanças polêmicas como o Mundial de inverno na Rússia-2018 e o VAR, parece disposto a bancar a expansão a qualquer custo — mesmo que isso signifique ignorar as vozes contrárias.

Resistência global: por que times e federações não querem a mudança

A oposição não vem só dos poderosos. Jogadores como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, embora não tenham se manifestado oficialmente, já deixaram escapar em entrevistas que preferem um Mundial mais enxuto e de maior qualidade. Para eles, a magia do torneio está justamente na dificuldade de se classificar e no peso de cada partida — algo que se perderia com mais times e mais jogos.

Federações menores, como a da Austrália ou da Costa Rica, veem na expansão uma chance de participar mais vezes do torneio. Mas há quem questione se isso não seria apenas uma fachada para justificar interesses comerciais. Afinal, mais times significam mais ingressos vendidos, mais patrocínios e, claro, mais dinheiro para a FIFA — que, aliás, nunca escondeu sua sede por expansão.

O problema é que o futebol europeu, berço das maiores seleções e do maior mercado, já demonstrou ceticismo. A UEFA, por exemplo, teme que a mudança prejudique as eliminatórias continentais, que já são longas e desgastantes. Sem contar o risco de diluir ainda mais a competitividade: se hoje já é difícil para times como a Suíça ou o Uruguai brigar por vaga, imagine com 64 seleções brigando por 16 ou 24 vagas.

O fantasma do Mundial de 2026: o que deu errado no Canadá-EUA-México?

A última edição expandida, em 2026, promete ser um laboratório para os novos planos. Com 48 times, o torneio será o maior da história, mas já coleciona críticas por seu formato confuso e pela quantidade de jogos sem brilho. Times como a Holanda ou a Inglaterra, que teriam facilidade para se classificar, podem se ver obrigados a enfrentar até três partidas antes das oitavas — um desgaste desnecessário.

Se em 2026 a expansão já nasce com problemas, por que repetir a fórmula em 2030 ou 2034? A resposta, claro, está nos cofres da FIFA. A entidade calcula que um Mundial com mais times pode render até US$ 11 bilhões em receitas — um número tentador demais para ser ignorado, mesmo que o custo seja a qualidade do espetáculo.

O que está em jogo: qualidade vs. quantidade

A discussão vai muito além do número de times. Trata-se de uma escolha de alma para o futebol: queremos um torneio mais inclusivo, mas potencialmente mais fraco tecnicamente, ou mantemos o padrão atual, mesmo que isso signifique menos nações participando?

Para os puristas, a resposta é óbvia: a Copa do Mundo deve ser um evento de excelência, onde só os melhores têm vez. Para a FIFA, o negócio é outro: quanto mais times, mais dinheiro. E, no fim das contas, é esse o jogo que está sendo jogado — com a diferença de que, desta vez, até os jogadores podem sair perdendo.

Se a expansão for aprovada, o Mundial de 2030 promete ser um divisor de águas. Ou um tiro no escuro. Ou, quem sabe, a redenção de um esporte que, cada vez mais, parece mais preocupado com números do que com magia.

Análise AmaFut

Gianni Infantino não é nenhum ingênuo: ele sabe que mexer em time que está ganhando é sempre arriscado. Mas, no caso da expansão para 64 times, a aposta é clara: o futebol global está faminto por mais representatividade, e a FIFA — que há anos é acusada de elitizar o esporte — vê nessa mudança uma chance de se redimir (ou, pelo menos, de vender mais camisas).

O problema é que o Mundial não é uma feira de negócios, é um espetáculo. E, como qualquer espetáculo, seu valor está na emoção, não no número de ingressos vendidos. Se a entidade insistir em encher o torneio de times medianos, corre o risco de transformar a Copa do Mundo em uma versão superdimensionada da Copa América — onde times como a Bolívia ou a Venezuela aparecem de vez em quando, mas ninguém lembra direito por quê.

Para os times fortes, a mudança pode ser até benéfica: mais jogos contra adversários de menor nível ajudam a manter o ritmo e a confiança. Mas para os fãs, o perigo é óbvio: menos brilho, mais jogos sem graça e, no fim, uma competição que perde o que a tornou lendária — a dificuldade de chegar lá e a magia de cada partida.

Se a FIFA quer mesmo democratizar o futebol, que comece pelo desenvolvimento das categorias de base nas nações emergentes. Expandir o Mundial sem investir no crescimento do esporte nos continentes menos favorecidos é como encher um copo furado: por mais que se coloque água, ela nunca vai ficar.

Fonte

ESPN — FIFA avança com plano de Copa do Mundo de 64 times apesar da resistência

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