Eto’o apoia plano de Infantino para vender parte da Copa do Mundo

Eto’o defende proposta polêmica de Infantino para financiar a Copa do Mundo
Samuel Eto’o, lendário atacante e agora figura influente no futebol mundial, deu seu aval ao plano de Gianni Infantino de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados. Em declaração pública, o ex-jogador camaronês afirmou que não vê problema na iniciativa, que tem gerado debates acalorados sobre o futuro financeiro do esporte mais popular do planeta.
A proposta, ainda em fase de discussão na FIFA, sugere que uma parcela dos direitos de transmissão e marketing das edições futuras da Copa do Mundo seja cedida a fundos de private equity. O objetivo é injetar bilhões de dólares no caixa da entidade máxima do futebol, garantindo mais recursos para desenvolvimento do esporte em países emergentes. Mas, como sempre, a polêmica está garantida.
📌 Leia também: FIFA quer Mundial Sub-15 com todas as seleções
Eto’o, que já foi um dos maiores artilheiros da história do Barcelona e da seleção de Camarões, não é exatamente um novato em assuntos de poder no futebol. Sua posição, no entanto, surpreende alguns críticos, que enxergam no plano um risco de mercantilização excessiva do torneio mais importante do mundo.
## O que diz a proposta de Infantino e por que Eto’o apoiaGianni Infantino vem defendendo há meses a ideia de que a FIFA precisa de uma injeção de recursos para manter sua promessa de globalizar o futebol. A proposta em questão envolve a venda de até 49% dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados, o que poderia render dezenas de bilhões de dólares. Segundo apurado por ESPN, Eto’o teria dito que “o futebol precisa evoluir” e que “sem dinheiro, não há como crescer”.
O ex-atacante, que hoje atua como dirigente em Camarões, argumenta que a medida pode beneficiar federações menores, que hoje lutam para sobreviver financeiramente. “Se a FIFA não tomar medidas drásticas, o fosso entre os gigantes e os times pequenos só vai aumentar”, declarou Eto’o, em tom de alerta.
Mas nem todos estão convencidos. Críticos apontam que a entrada de fundos de private equity no futebol pode levar a uma lógica de curto prazo, onde o lucro se sobrepõe ao esporte. Afinal, quem vai garantir que os recursos arrecadados serão realmente investidos em desenvolvimento e não apenas em mais lucros para os acionistas?
## Repercussão: entre o pragmatismo e o medo da mercantilizaçãoA reação ao plano tem sido mista. Enquanto alguns veem na proposta uma salvação para federações africanas e asiáticas, outros temem que o futebol se torne refém de interesses puramente financeiros. O presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, já veio a público questionar a ideia, argumentando que a Copa do Mundo não pode se transformar em um “ativo financeiro” como qualquer outro.
No Brasil, onde o futebol é paixão nacional e a CBF já enfrenta crises financeiras recorrentes, a discussão também ganha contornos regionais. Afinal, se a FIFA seguir adiante com o plano, como ficará a distribuição dos recursos? Será que os clubes brasileiros, já tão dependentes de receitas de TV, vão conseguir acessar esses novos recursos?
Eto’o, no entanto, mantém seu otimismo. Para ele, o futebol não pode ficar parado no tempo enquanto outras indústrias avançam. “Se não fizermos nada, vamos perder espaço para o basquete, o futebol americano, o e-sports. O mundo muda, e nós precisamos mudar com ele”, afirmou.
## Análise AmaFutO plano de Infantino não é exatamente uma novidade no mundo do esporte. Times de futebol europeus já há anos vendem parte de seus direitos de transmissão para fundos de investimento, e até mesmo a NBA já explorou modelos semelhantes com suas franquias. Mas quando o assunto é a Copa do Mundo — o maior espetáculo esportivo do planeta —, a discussão ganha outra dimensão.
O risco aqui não é apenas financeiro, mas também cultural. A FIFA sempre vendeu a ideia de que a Copa do Mundo é um evento “para o povo”, um momento em que nações de todos os cantos do mundo se unem em torno do esporte. Se a entidade abrir mão de parte do controle sobre os direitos comerciais, quem vai garantir que essa essência será preservada?
Além disso, há um questionamento tático: será que a entrada de investidores privados vai realmente democratizar o acesso ao futebol, ou vai criar uma nova elite de federações e ligas que já dominam o esporte? Afinal, em um modelo assim, quem tem mais dinheiro vai sempre ter mais poder — e isso pode significar menos oportunidades para países que já lutam para se destacar.
Eto’o tem razão em um ponto: o futebol precisa evoluir. Mas evoluir para onde? Se a resposta for “para um modelo cada vez mais parecido com o da NFL ou da NBA”, então talvez seja melhor repensar. O futebol não é só negócio — é paixão, é identidade, é história. E, nesse quesito, os fundos de private equity ainda têm muito a aprender.
## Fontes ESPN — Eto’o apoia plano de Infantino para vender parte da Copa do MundoLeia também
Ou navegue pelas páginas do blog



