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Ceferin acusa Infantino: "Venda da Copa é pior que a Superliga"

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Redação AmaFutPublicado em 24/08/2026
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Ceferin acusa Infantino: "Venda da Copa é pior que a Superliga"
Ceferin acusa Infantino: "Venda da Copa é pior que a Superliga" O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, não poupou críticas ao seu par na FIFA, Gianni Infantino, após o anúncio de que a entidade máxima do futebol mundi...
linkFonte / Crédito:BBC Sport (Futebol)

Ceferin acusa Infantino: "Venda da Copa é pior que a Superliga"

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, não poupou críticas ao seu par na FIFA, Gianni Infantino, após o anúncio de que a entidade máxima do futebol mundial estuda vender uma participação no Mundial de Clubes. Em entrevista à BBC, Ceferin classificou a proposta como "pior do que a Superliga", o projeto fracassado que dividiu o futebol europeu em 2021. A declaração expõe mais uma vez as tensões entre as duas maiores entidades do esporte, que já haviam se enfrentado pela reforma do Mundial de Clubes e pela gestão comercial do esporte.

A polêmica ganhou contornos ainda mais graves quando Ceferin comparou a iniciativa de Infantino à Superliga, projeto que dividiu clubes e torcidas ao propor uma competição fechada para os gigantes europeus. "Isso é ainda pior porque mexe com a alma do futebol: a Copa do Mundo. Não é justo com os clubes que construíram a história do esporte", afirmou o líder europeu. A declaração reforça a resistência da UEFA contra qualquer medida que possa desvalorizar as competições tradicionais, especialmente o Mundial de Clubes, que recentemente foi expandido para 32 times.

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A proposta de venda de participação no Mundial de Clubes não é nova. Desde 2023, a FIFA estuda formas de monetizar o torneio, que tradicionalmente tem menos apelo comercial do que a Copa do Mundo de seleções. No entanto, a ideia de abrir mão de parte do controle sobre o evento — ou até mesmo privatizar sua gestão — esbarra na resistência das confederações continentais, que temem perder influência sobre o esporte.

## A guerra de poder que vai além do futebol

As declarações de Ceferin não são apenas um desabafo pessoal, mas refletem uma batalha de poder dentro do futebol mundial. A UEFA, que representa as principais ligas europeias, sempre se posicionou contra a expansão comercial desenfreada da FIFA, especialmente quando isso afeta as competições tradicionais. O Mundial de Clubes, por exemplo, já foi alvo de críticas por ser visto como um torneio secundário, mas a ideia de transformá-lo em um produto de investimento privado pode agravar ainda mais a situação.

Infantino, por sua vez, argumenta que a venda de participação no Mundial de Clubes poderia trazer recursos para o desenvolvimento do futebol global, especialmente em países emergentes. No entanto, Ceferin rebate: "O futebol não é uma ação na bolsa. É uma paixão que une pessoas em todo o mundo. Não podemos tratá-lo como um ativo financeiro". A divergência expõe uma divisão clara: de um lado, a visão comercial e globalizante da FIFA; do outro, a defesa das tradições e da estrutura atual do esporte pela UEFA.

## O que está em jogo para o futebol brasileiro

Para o futebol brasileiro, a discussão tem implicações diretas. O país, que já foi campeão mundial de clubes com times como o Santos de Pelé e o São Paulo de Raí, tem interesse em manter o Mundial de Clubes como uma competição relevante. A venda de participação na FIFA poderia reduzir ainda mais o espaço para os clubes sul-americanos, que já enfrentam dificuldades para se classificar em um torneio cada vez mais dominado por europeus.

Além disso, a briga entre UEFA e FIFA pode afetar diretamente a Libertadores, competição que já sofre com a concorrência do Mundial de Clubes. Se a FIFA priorizar o torneio global em detrimento das competições continentais, os clubes brasileiros podem perder ainda mais relevância internacional. "O futebol sul-americano não pode ficar refém das decisões da Europa e da FIFA", afirmou um dirigente da CBF ao portal AmaFut.

## Análise AmaFut

A guerra entre Ceferin e Infantino não é apenas uma disputa de egos, mas uma batalha ideológica sobre o futuro do futebol. De um lado, a UEFA defende um modelo tradicional, onde as competições são organizadas pelas confederações continentais e a paixão pelo esporte prevalece sobre o lucro. Do outro, a FIFA, sob a liderança de Infantino, aposta em um modelo mais comercial, onde o futebol é tratado como um produto global, capaz de atrair investimentos e patrocinadores.

O problema é que, no meio dessa briga, está o futebol em si. A venda de participação no Mundial de Clubes pode trazer dinheiro no curto prazo, mas a longo prazo pode desvalorizar ainda mais o torneio, transformando-o em um mero espetáculo para investidores. Além disso, a ideia de privatizar parte do controle sobre a Copa do Mundo — mesmo que seja o Mundial de Clubes — é perigosa, pois pode abrir precedentes para que outras competições sejam tratadas da mesma forma.

Ceferin tem razão quando diz que o futebol não é uma ação na bolsa. Mas a FIFA, com sua sede por recursos, parece cada vez mais disposta a tratar o esporte como tal. O risco é que, em nome do dinheiro, o futebol perca aquilo que o torna único: a paixão das torcidas, a história dos clubes e a emoção das competições.

Fonte

BBC Sport — [link para a matéria original]

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